sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Não existe saudade mais cortante...


Ao meu pai, Edvar.

Um ano. 365 dias.

Eu ainda não sei por que você se foi.

Nunca fui boa em contas então não medi a saudade que senti.

E sinto.

A cada momento de felicidade ou de tristeza, de vitória ou de derrota.

Por algum motivo ainda te procuro, e te encontro.

De alguma forma sei que nunca mais vou estar sozinha.

Nesse ano senti na pele que são nos momentos de dificuldades que conseguimos saber até onde podemos ir.

O quanto ainda temos de coragem pra enfrentar cada dia que se inicia. E como as manhãs são difíceis. Muito mais cruéis que as noites, pois não te dão a alternativa do sonho.

O sonho que por vezes era uma forma de contato, de uma comunicação, mesmo que apenas por uns momentos.

Há um ano atrás, enquanto a dor ainda nos partia, nos consumia, silenciosa e aterrorizadora, os dias continuavam a nascer. A terra girava, os jornais eram impressos, o comércio abria e fechava e abri novamente no dia seguinte.

O dia seguinte.

Como era difícil acordar e confirmar que nada havia sido um pesadelo.

Ainda não sei onde Deus tinha escondido a coragem que surgiu para colocar a cabeça no lugar, entender, aceitar, levantar e seguir em frente.

Não triste, nem derrotada, nem injustiçada e muito menos enfraquecida.

Mas como foi difícil não te ver mais.

Sempre escutei que os pais cuidam da gente quando somos pequenos e depois nós que cuidamos de nossos pais.

Mas você fugiu às regras, quando eu ainda nem podia e nem precisava cuidar de você, foi-me tirada essa possibilidade futura. E a ordem das coisas foi mudada e quem diria, agora é ainda você que cuida de mim.

Há um ano atrás meu mundo caiu. E eu construí ele de novo.

Quando meu irmão era pequeno tinha medo de não aprender a construir uma casa para poder morar. Assim como nosso pai havia feito, e assim poder casar e constituir uma família.

Aquilo era muito preocupante para uma criança que achava que deveria fazer isso tudo sozinha.

Hoje eu sei que é preciso de força, coragem e união para vencer todos os obstáculos que aparecem na vida, e não estamos em uma família para termos que fazer as coisas sozinhos.

O ano de 2008 foi difícil e a gente conseguiu, mas hoje eu acho que ainda podemos muito maisnesses anos que estão por vir.

Hoje Adilson, eu acho que a gente constrói uma casa, acho que a gente pode construir qualquer coisa.


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Tim Maia - Gostava tanto de você

Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

Um comentário:

Ismael Sturmer disse...

Bah Aline! Hoje é aniversário do meu pai. E lendo o teu texto, fiquei pensando quantas vezes temos a possibilidade de mostrar para eles o que sentimos e não o fizemos. Hoje, quando chegar em casa, vou mais uma vez dar um abraço e um beijo nele. Graças ao que tu escreveu.